Taí algo que foi complicado de entender.

Apesar de ter, sem querer, tentado buscar Hathor antes de Sekhmet – pois eu busquei primeiro as deusas do amor, hehe, e Hathor também é uma – confesso que foi difíiiiiiicil de entender.

Ai ai ai…

Hathor é sensual. Aquela mulher gostosa, bela, que sabe ser manhosa e poderosa quando quer. Hathor é deusa das festas, da música, do prazer. Deusa da fertilidade, do amor.

Eu, toda novinha ainda, libriana desajeitada. É…

“Como que é esse negócio de ser sensual? Manjo nada…”

Depois que deixei a Leoa despertar em mim, foi complicado entender aquela deusa toda dourada, toda delicada.

Não que eu seja lindíssima ou sensual nos dias de hoje, mas aprendi muito com ela! Hahahaha! Na verdade, ainda aprendo com todos os deuses, mas ela ainda me é um certo desafio. Num dia ela quer poder! No outro ela quer só dormir mesmo e é isso aí.

Tem dias que briga comigo por não me dar o luxo de comer um doce. Tem dias que a sinto querendo comer minhas entranhas por eu estar comendo alguma bobagem.

Eu já vinha cultuando Sekhmet, da minha maneira. Sem entender muito ainda, mas confiando nas intuições. Vendo confirmações pelas coisas boas que a vida vinha trazendo. Fui me animando, permitindo meus canais espirituais se abrirem. Acredito que, ao ver isso, Hathor resolveu começar a surgir na cena. Afinal, e é o outro lado de Sekhmet. Ambas são a mesma moeda, cada uma é um lado. Guerra e Amor. Uma linha fina, que só é quebrada quando fortemente provocada.

A Deusa veio cantando-me sobre o amor. E eu? É…

Amor?

Hum…

Pra quê? Eu só tive experiências péssimas com amor. Vendo casais brigando horrores, traições sem sentido, pais se matando na frente dos filhos… Amor, isso aí? Obrigada, mas não, Hathor. Passar bem.

Ah… mas você não simplesmente vira as costas para uma deusa do amor. Não subestime o amor!

Eu pensava: Bem, tenho uma relação, não sei se dará em algo, mas segue a vida. Eu realmente não tinha expectativa de nada. Fora a minha autoestima que não me permitia ainda pensar mais positivamente sobre eu mesma, sobre relação com as pessoas.

Sempre fui muito pé atrás com todo mundo, devido ao que passei e ao que vejo por aí…

Cheguei a pensar que Hathor me desse uma dura lição.

 

Não.

 

Ela me mandou uma amizade.

Uma amiga maravilhosa, e totalmente diferente das pessoas que estava acostumada. Era uma senhorinha. Tinha uns 60 anos? Acho que era isso. Ela adorava o Antigo Egito. Adorava… Hathor.

Nem lembro como a conheci. Foi rápido. Foi alguém que era amigo de amigo, que sabia de uma bruxona… Dona Emília. Ela que me falou muitas coisas. Ensinou umas coisas incríveis de Hathor, do Egito, de bruxaria. Com o jeitinho simples dela, falava de vidas passadas…

Lembro como ela me falava para tentar entender que amor não era aquilo que eu via e me revoltava. O amor é bonito, sincero e FORTE. Muito forte. Capaz de ouvir a mais dura verdade e permanecer seu amigo. Capaz de perdoar alguém. Capaz de doar-se. Capaz de transformar duas pessoas estranhas em algo tão grande que seria como ter o seu próprio coração fora do peito.

Lembro que chorei muito para aceitar isso. E choro neste momento.

Dona Emília disse que estava feliz de ter uma pequena mocinha para ensinar. Se sentia feita. E eu fui agradecer Hathor. Pedir desculpas. Dizer que a aceitava em minha vida.

 

Alguns dias depois, fui ver a Dona Emília. Agradece-la também… porém, eu encontrei a família dela na casa. Aquela senhoria se foi. Cumpriu a última missão dela e se foi.

O amor é assim. Ele ensina, com paciência, espera. Abraça. Acalenta. Acredito sim que Dona Emília tenha sido buscada por Hathor. Que a Deusa a Tenha.

Sou grata demais.

 

Seja sempre bem-vinda, Hathor.

 

Rosea Bellator
E-mail: oficinadasbruxas.odb@gmail.com
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