Minhas primeiras linhas neste Templo só podem ser direcionadas à minha Senhora.

Já tem bastante tempo, uns bons anos… Eu lembro que antes de eu entender o que era magia, Tarot, ou mesmo entender que haviam Deuses pelo mundo afora, eu lembro de quando sonhava com um ser de fogo, que se aproximava muito de mim, e rugia.

Mas na época, bem, eu só me assustava e nem sequer entendia que era um rugido.

Acordava cansada e com medo, ainda que sabendo de alguma forma que não sei explicar, que não tive um pesadelo. Que não tinha nada para me preocupar.

Com o tempo, conforme comecei a aprender sobre o Tarot, que foi o que eu conheci primeiro desse mundo mágico, e passei a abrir minha mente para outras coisas mais, o sonho foi ficando mais claro. Passou a ser uma Leoa de Fogo. Que eu ainda me assustava.

Não era sempre que eu tinha esse sonho.

Vinha de vez em quando, acho que umas 2 ou 3 vezes no ano. Normalmente em momentos de grande estresse, onde eu deveria ao menos aprender algo com a situação. Ter mais pulso, mais controle, perder o medo de dizer não…

Hoje eu entendo que ela vinha para tentar me despertar.

Vinha para dizer: EI, VOCÊ VAI FICAR AÍ SÓ SE LAMENTANDO? TOME UMA ATITUDE!

 

Hahahahaha…

 

Quando passei a estudar sobre bruxaria, e na época eu comecei por estudar a Wicca e alguns outros caminhos da bruxaria mais simples. Comecei a estudar sobre o aspecto feminino da Divindade. Existia uma Deusa além do Deus.

Fora esse choque, que falarei em outro momento, esse estudo me fez entender melhor a tal Leoa de Fogo.

O som que me dava medo passou a fazer mais sentido. Era um rugido. De leoa. Você já ouviu o rugido de uma leoa procurando os filhotes? Era esse som. E eu comecei a sentir a preocupação dela. Resolvi pesquisar aquele sonho.

Começaram então as “coincidências”. Isso, com aspas mesmo.

Sekhmet surgia aqui e ali. Num oráculo, e sem querer ao abrir um livro. Numa pesquisa no Google, sobre alguma outra coisa nada a ver com ela. Ops, uma pessoa falava aqui, uma outra falava ali…

Dei uma chance e resolvi ler sobre aquele ser.

Por algum motivo que nunca entendi, desde criança, eu sempre gostei muito de ler, de ler sobre criaturas místicas, deuses, mas creio que porque eu comecei a jogar vídeo game muito nova. Achava o Egito a coisa mais linda. Então… eu precisava ler sobre aquela deusa lindíssima do Antigo Egito!

E lendo… Meu Deus!

Sekhmet, deusa da Guerra. Do Fogo. Deusa do ódio, das doenças e da cura. Deusa, cuja mitologia, matou quase toda humanidade quando Rá a enviou, pois a humanidade estava se tornando um ninho de maldade…

“Meu Deus! Eu não posso cultuar esse demônio! Credo! O que estou fazendo aqui!?”

Fiquei sim horrorizada. E larguei de lado.

Busquei outras deusas, principalmente deusas do amor. Hehehehe… E quem disse que deu certo?

Tentei uma aqui e outra ali, e nada. Nada. Sekhmet passou a tentar falar comigo de outras formas. Novos sonhos, intuições, através de pessoas que “sem querer” me falavam coisas que eu queria saber…

Levei três anos para dar uma chance para Ela.

Teimosa? Cética? Sim, e muito.

O que, de fato, não me fez nada bem. Inclusive, eu só a aceitei porque ela passou a ser mais dura. Sonhos onde ela discutia comigo. Onde ela me mostrava coisas. Ela dizia: Você já faz magia! Você já viu que tudo isso existe! Eu existo! Deixe-me mostrar o caminho!

No começo ela teve muita paciência. Confesso que, hoje, se eu soubesse que era ela… ah! Eu teria aberto os braços, aproveitado logo sua ajuda… Porém, tudo em seu tempo, não é mesmo?

Estava chegando um sabbath. Eu ia celebrar o sabbath e ia deixa-la de lado, como sempre.

Misteriosamente, comecei a ficar doente. Cansada. Dormia, e nada resolvia. Eu tenho sinusite crônica. Essa danada é o que mais me irrita em diversos probleminhas que tenho. Adivinhe onde Sekhmet resolveu atacar?

Ela deixou minha sinusite impossível. Irritante. Dolorosa. Um inferno.

Depois de 3 dias assim, no dia do sabbath…

Pensei seriamente em desistir. Talvez essa coisa de bruxaria não é para mim. Deve ser isso.

Nesse momento, eu ouvi em minha mente “Me chame e eu resolverei isso”.

Bem…

Eu queria tanto!

Fiz meu sabbath. Fiz minha magia. E chamei Sekhmet.

Confesso que só de transcrever esses momentos eu já sinto o ambiente aquecer…

Foi a primeira vez que vi uma vela comum levantar uma chama tão absurdamente alta! Brilhante! Dançante! Eu sentia meu corpo vibrar. Sentia o ar queimar! Eu queria dançar e chorar, de tanta emoção!

Cansada, ao final da celebração, apenas apaguei as velas e dormi.

Dolorida. Com sinusite atacada…

Acordei linda e bela. Sem dor. Sinusite quietinha, invisível.

Eu sei que parece fantástico demais. Eu sei que parece fantasia e drama. Como se eu vendesse a imagem da deusa como santa milagreira. Eu sei!

Se alguém me contasse isso antes daquela noite, eu riria!

Oh, Senhora!

Eu não me arrependo de ter te aceitado.

A Leoa Despertou em mim. Mudou minha vida em tantos níveis que um livro não seria suficiente para descrever.

Tudo que ela mostrou, como ela explicou, sempre aconteceu. Seja através de um sonho, de uma intuição, dentro de um ritual, de todas as formas… Ensinou-me a ser guerreira, a não ter medo de qualquer cachorro que late. A Leoa quem me mostrou como escalar qualquer obstáculo e rugir tão alto que faria qualquer babaca sumir dos meus caminhos. Ah… e como ensinou e ensina!

Eu agradeço e dedico este espaço, este templo para Ti, minha Mãe.

 

Seja sempre bem-vinda, Sekhmet!

 

Rosea Bellator
E-mail: oficinadasbruxas.odb@gmail.com
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