Todo mundo que um dia resolveu estar mais próximo de suas divindades já percebeu que, em algum momento, a divindade parece “sumir”… O que gera confusão, medo, mas também é quando a gente descobre tantas coisas!

Queria muito falar de uma experiência bem recente.

Sekhmet simplesmente pareceu sumir… mas, como não é a primeira vez, não me desesperei. Contudo, deixe-me contar como foi.

Eu tinha aprendido muitas coisas com Sekhmet e já estava querendo por em uso. Assim como numa escola, a gente aprende, pratica, faz provas. Assim também é com os ensinamentos que os deuses nos trazem. Pelo menos, por aqui, sempre foi assim. Porém, eu não sentia muito bem onde usar aquele conhecimento… e fiquei entediada.

Passou umas semanas, alguns aborrecimentos, algumas alegrias. Estagnou. Não fiz nada, apenas o básico de sempre: chamar a deusa, conversar com ela, sentir sua força, me animar, lutar pelo pão de cada de dia. É, estagnou.  Ou seja, sem novidades. Respirei fundo… Eu quero avançar, evoluir, não ficar apenas no “ok”. Foi quando eu organizei o altar e meditei com ela. Não é fácil, porque Sekhmet é sempre aquela coisa quente, impaciente. É difícil me concentrar.

Na meditação, ela apenas rugia em minha face, me mandando tomar iniciativas, viajar.

“Viajar para onde, Senhora?”

E num rugido ainda mais alto, ela sumiu.

Eu abri os olhos e chorei silenciosamente. Ela simplesmente sumiu, mesmo. Até a energia de fogo se foi.

Passei 2 semanas fazendo as coisas da minha vida sem chamar qualquer divindade. Eu só pensava: viagem? Pra onde, minha deusa?

Acordei, certo dia, muito irritada. A lua minguante tinha acabado de chegar, eu tinha feito meus rituais e minhas obrigações. A irritação não ia embora. Cheguei à conclusão de que não era minha. Sim, uma irritação, uma energia que me irritava demais, não era minha. E eu estava sozinha em casa, já tinha banido tudo. Será que não bani direito? Ouvi claramente “GRRRRRRRRRR”. Não chegou a virar um rugido, mas foi o suficiente para entender. A Leoa não tinha sumido completamente… Ela estava ali, pertinho, esperando.

Decidi que, nas próximas luas, eu chamaria por ela para trabalhar minha magia junto de outras pessoas, num trabalho que faço chamado Tarot Lunar. Outro “GRRRRRRRRRRR”. Não era isso. Peguei meu tarot e comecei a fazer perguntas. Uma das perguntas, que estava insistente em minha mente, era “E se eu fizer o Tarot Lunar com Hekate?”… Não é ela Senhora da Magia, das Bruxas? Quando finalmente cedi à ideia de que deveria estudar com outra deusa e fiz a pergunta de fato… Senti Sekhmet, quente, em meu pescoço. Feliz.

Qual a resposta do Tarot? O Sol.

Organizei meu altar e chamei por Hekate. Ela veio tão rápido, que estremeci e gelei. Saí do quente de Sekhmet para o frio de Hekate. Não é gelo, mas o frio da noite silenciosa. Eu amo esse frio, contudo, confesso que, assim, de súbito, me fez sentir um misto de medo e êxtase.

Já fiz rituais com essa deusa maravilhosa, e já falei dela por aqui no Templo da Leoa… O que eu nunca fiz foi o que eu me prontifiquei naquele momento…

Abri os braços e disse “Hekate, eu me entrego à Senhora e só peço que me abra os caminhos espirituais”. Naquele mesmo momento ela me mandou ir meditar, depois de tomar um chá de artemísia.

Obedeci.

Gosto de meditar deitada. De braços abertos. Fechei os olhos e me permiti ser levada por ela.

No começo, apenas o escuro. Devagar, veio uma sensação de estar numa montanha russa. Meu corpo vibrava como se o ar me puxasse e empurrasse ao mesmo tempo. Eu vi fogo, tochas… então, um túnel. Hekate andava à minha frente, segurando uma tocha, enquanto ia acendendo algumas nas paredes do túnel. Em dado momento, ela começou a falar. Frases soltas, que eu nada entendia. Segui, sem medo. Frio, mas com o brilho das tochas, ficava menos aterrorizante.

Ela seguiu… e parou de acender as tochas. Eu apenas continuei. Até mesmo quando ela andou muito mais rápido e sumiu na escuridão. Eu segui. E saí numa espécie de clareia, numa montanha. Ali, eu ouvi claramente algumas “ordens”. Não que ela queira mandar em mim, mas eu fiz um pedido… e para que ele aconteça, algumas coisas precisam ser feitas.

Segui as instruções de Hekate por cerca de 1 mês, e tudo foi mudando ao meu redor de forma impressionante, para que meus caminhos espirituais fossem abertos. Uma amiga, de tão longe, conseguiu vir me visitar. Ela me ajudou com umas coisas, me ensinou, e eu a ajudei também. Uma troca. Hekate não apenas ajudou a mim. Ela não estalou os dedos e fez “milagre”. Ela moveu uma pessoa de luz para me ajudar, ao mesmo tempo que eu “pagaria” a pessoa ajudando-a também.

De forma surreal, Hekate moveu as coisas para que uma pessoa me alugasse uma casa no meio do mato para fazer ritual com meus amigos. Uma casinha bonita, de bruxa, no mato, podendo fazer fogueira, num valor completamente acessível. Uma ilha mágica! Sem demora, meus amigos confirmaram e tudo ficou certo.

Minha amiga que estava aqui em casa viajou, e no outro dia… eu estava viajando também!

Olha aí a viagem que Sekhmet disse!

Foi tudo tão ligeiro, tão certinho… Datas e horários sem conflitar.

Viajamos para Ilhabela e fizemos o que Hekate me mostrou. Descobrimos dons, descobrimos como é bom fazer ritual cantando. Descobri um novo caminho. Olha a abertura dos caminhos espirituais.

Então… voltei para casa. Sekhmet parecia estar na porta, esperando.

Ainda não é hora de voltar o caminho com ela, tanto que já me enviou outra Senhora.

 

Bem…

 

Os deuses não nos abandonam. É isso que quero deixar claro.

Eu pedi, ela enviou a ajuda. Não é estalar de dedos. É trabalho, esforço. Vamos quebrando barreiras. É dureza, tem choro, tem alegria. Tem o momento de fazer as coisas sozinha, tem o momento para amigos.

Só agradeço e reverencio!

Heya!

 

Até a próxima!

Rosea Bellator
E-mail: oficinadasbruxas.odb@gmail.com
Youtube: Canal Oficina das Bruxas

Atenção: A reprodução parcial ou total deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº 9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.